“REPÚ” CRIATIVA – *Arq Design Interiors Art Tech Lifestyle

Arq., Design, Interiors, Art ,Tech, Lifestyle

Posts Tagged ‘Boas práticas na construção

Boas práticas na construção

without comments

Boas práticas para uma construção ambientalmente correcta devem ser consideradas ao longo do seu Ciclo de Vida:

1. Fase de Projecto, além de todas as considerações com o contexto do lugar (clima, topologia, ecologia, cultura, história, etc.), quando o projectista considera o layout , i.e., a organização funcional, formal e tipológica do edifício, deve antecipar possíveis modificações com vista a uma reutilização ou ampliação e pensar a longo prazo. Assim, seria favorável se a grelha estrutural fosse simples e  os serviços fossem estrategicamente distribuídos, de modo a que o restante espaço possa ser o mais flexível possível. Deve também ser ponderada uma boa acessibilidade a reparações, manutenção ou remoção de elementos. Ainda a serem pesados são o risco, segurança e impactos na especificação de materiais e técnicas de construção.

2. Durante a construção, devem ser tidos em conta a energia incorporada e os impactes ambientais dos métodos e técnicas de construção e dos materiais utilizados. Deve ser favorecido o uso de elementos pré-fabricados (de preferência standartizados ) e/ou desmontáveis e, ainda, evitar a inter-penetração de materiais e elementos, adoptar juntas secas, e também usar componentes e materiais duráveis, ecológicos e recicláveis. Deve ser levada a cabo a reciclagem de desperdícios e outros poluentes de obra.

3. A certificação (SCE) vem viabilizar a utilização do edifício, monitorizando a sua eficiência energética (performance térmica e de climatização) e ainda a qualidade do ar interior. Para facilitar a uso eficiente do edifício, dever-se-ia facultar um guia de utilização na sua recepção, onde se indicaria o uso adequado de equipamentos, energia e recursos e ainda se podia alertar para a diminuição de emissões poluentes para a água, solo e ar. Ainda, durante a utilização, a manutenção e a reparação devem ser mínimas, e a limpeza deve ser feita com materiais ecológicos e de baixo impacte ambiental.

Ari Ilomäki – Design includes service life planning

No caso de reutilização esta só será viável se o edifício tiver sido projectado para ser flexível e adaptável. Se o edifício for considerado obsoleto, é levado a cabo o seu desmantelamento, em que é assegurada a separação e reciclagem de materiais, componentes e restantes desperdícios, sendo aqui evidente o risco de materiais e elementos compósitos.

No Ciclo de Vida de um Edifício Sustentável, tenta-se diminuir o seu impacte ambiental e energia incorporada desde a escolha de materiais e técnicas de construção até à sua reciclagem, sendo deste modo preferido um processo ‘ cradle to cradle ‘, ou seja um processo fechado e interminável quanto possa, a  um ‘ cradle to grave ‘.

Por tópicos, ao iniciar-se uma nova construção, quando a reabilitação não é possível, deve ter-se em consideração:

A protecção e aproveitamento das características locais:

    • Vegetação;
    • Paisagismo;
    • Topografia;
    • Água;
    • Exposição solar;
    • Ensombramento e abrigo;
    • Proporção do solo com revestimento impermeável;
    • Drenagem e/ou conservação de água;
  • A orientação solar;
  • A volumetria da edificação, numero de pisos e sua orientação, optimizando a iluminação natural e permitir a ventilação passiva;
  • As proporções entre aberturas para o exterior (vãos) e superfícies opacas da fachada, tendo em vista a distribuição de luz natural, o aquecimento e o arrefecimento passivos;
  • A optimização de luz natural nos espaços habitáveis;
  • O controle de encandeamento e o sobreaquecimento, especialmente nas fachadas a Este e Oeste;
  • A criação de dispositivos de ensombramento exteriores (estores, persianas, palas ou recuos nas fachadas);
  • A utilização do lado a Norte para: instalações sanitárias, circulações e arrecadações;
  • A energia incorporada nos materiais de construção bem como o impacte ambiental por estes causados, as emissões tóxicas e a facilidade da sua reciclagem e reutilização;
  • Uma estrutura resistente (betão, aço ou madeira) e envolvente exterior, considerando o seu impacte ambiental;
  • Plano de gestão ambiental em obra (fase de estaleiro);
  • A utilização da inércia térmica da construção para amortecer as flutuações da temperatura interior;
  • A produção combinada de calor e electricidade para reduzir a utilização de energia primária;
  • A escolha de caixilharias que tenham o melhor desempenho;
  • A aplicação de vidros duplos, de capacidade baixo emissiva;
  • O isolamento do edifício pelo exterior, uma vez que assim se consegue uma maior capacidade térmica útil (as flutuações de temperatura do ar são reduzidas);
  • O material de isolamento (que seja sustentável);
  • A evacuação de águas superficiais no local;
  • A utilização de sistemas fechados de tratamento de água poluída;
  • Assegurar acessibilidade a condutas, tubos e fios, com tampas amovíveis e ligações desmontáveis;
  • O dimensionamento adequado de tubagem metida nas paredes de modo a facilitar a substituição de fios eléctricos entubados;
  • O desenho de pormenor de forma a evitar as pontes térmicas;
  • A alvenaria ser de origem local, revestimentos de coberturas de longa duração, revestimentos de pavimento mais espessos, aglomerados de madeira com baixo teor de formaldeído, massas de estuque à base de gesso e tintas de água e/ou acrílicas;
  • Preferir materiais de origem local;
  • Optar por sistemas de encaixe evitando colas e soldas para uma maior facilidade de desmonte para reutilizar ou reciclar;
  • Prever reencaminhamento e reaproveitamento das águas para autoclismos e descargas não potáveis;
  • Prever a manutenção correcta do edifício após construído;
  • Efectuar cálculos de desempenho energético do edifício.
  • Desenvolver manual de utilização do edifício.

Escrito por João Monge Ferreira

Outubro 3, 2007 em 10:14 am