Archive for the ‘Energias Renováveis’ Category
Energias renováveis
Biomassa para o desenvolvimento do mundo rural
Aproveitar a água…
Com solução de eficiência energética
Aproveitar a água…
Num concurso que tinha por tema a «Energia – Vida sustentável», Jorge Graça Costa concebeu o projecto «See-Trough Wall» (Parede de Água, numa tradução livre), um sistema ecológico em que o aproveitamento da água (pluvial ou da rede) desempenha um papel fundamental no aumento da eficiência energética e no combate ao desperdício.
A Parede de Água é constituída por um vidro triplo, com dois espaços entre os vidros, que formam caixas-de-ar. No Inverno, um dos espaços é preenchido por água (condutor de calor) e o outro, mais próximo do exterior, por ar (isolante de calor). No Verão, ambos os espaços são preenchidos por ar.
O sistema é baseado num aproveitamento das águas da chuva, que são recolhidas num tanque e armazenadas, sendo usadas para descargas domésticas, para o jardim e piscina. A água é filtrada e bombeada para as paredes do sistema idealizado pelo arquitecto.
…e o calor
Durante o dia, no Inverno, a água acumula calor. Ao fim do dia, o calor, devido à baixa da temperatura, tenta dissipar-se. A maior parte do calor vai dissipar-se para o interior (visto que a caixa de ar cria um obstáculo à perda para o exterior). O sistema prevê, através de painéis solares, a possibilidade de aquecer a água previamente e injectá-la já aquecida, quando não há radiação solar.
No centro da ideia de Jorge Graça Costa está o termo japonês «mottainai», que significa reduzir, reutilizar, reciclar e, ainda, reparar (os danos já causados ao ambiente). A palavra foi usada por Wangari Maathai, Prémio Nobel da Paz 2004, num discurso nas Nações Unidas, e serviu de mote ao concurso.
A Parede de Água recicla a água das chuvas, reduz substancialmente o consumo de energia (em condições ideais reduz o consumo até 30%), reutiliza a água que está dentro das paredes de um imóvel, aproveitando-a para descargas e regas (a redução do consumo de água de rede para usos domésticos pode chegar a 50%) e repara (ao reduzir o consumo de energia, reduz as emissões de dióxido de carbono em cerca de 30%).
Jorge Graça Costa explica que, na origem da ideia, está, também, a tentativa de ultrapassar as limitações da parede de trombe, usada para «guardar» energia que, depois, é radiada para o interior do edifício. Contudo, essa parede não permite visibilidade nenhuma para o exterior.
A parede de água é ainda susceptível de ser decorada de várias formas (a água pode ser colorida da cor que se quiser, por exemplo) e constitui um «ar condicionado silencioso e que não polui».
O júri era composto por jornalista especializado em ciência e tecnologia Manabu Akaike, pelo arquitecto Toshiro Ikegami e pelos designers Chiaki Murata, Chris Conley e Fritz Frenkler.
Jorge Graça Costa
Trabalha na área da eficiência energética de edifícios e está a concluir um mestrado em arquitectura bioclimática na Faculdade de Arquitectura de Lisboa (tese na área da eficiência energética dos edifícios). Licenciou-se na Universidade Lusíada em 1998.
No ano seguinte, iniciou a actividade por conta própria, sendo autor de vários projectos na área da sustentabilidade e da eficiência energética de edifícios.
Em 2004, já tinha vencido, em colaboração com os arquitectos Jorge Conceição e Rui órfão, o Prémio da Direcção-Geral de Geologia e Energia-Eficiência Energética de Edifícios (atribuído ao Jardim-de-infância e Escola do Ensino Básico do Alto da Faia, em Telheiras, Lisboa).
Fonte: oasrs
Mais informações: http://www.jdf.or.jp/eng/
ENERGIAS RENOVÁVEIS
A energia é uma necessidade básica da sociedade moderna. No entanto, a produção de energia tem vários problemas associados:
- A dependência das energias fósseis conduziu a uma situação económica e ambiental insustentável, tornando urgente a aposta nas energias renováveis;
- A aposta nos grandes sistemas de produção de energia (barragens, parques eólicos, etc) faz com que estes normalmente tenham que estar afastados dos grandes centros de consumo, havendo perdas muito significativas de energia na rede de transporte;
- Os grandes sistemas, pela sua dimensão, têm impactes significativos na construção e/ou exploração, vão ocupar áreas em que a acção do homem ainda não existe ou não tem um impacte muito significativo.
A ampla disponibilidade das energias renováveis, o facto de não serem poluentes e a possibilidade de serem aplicadas muito mais próximas do utilizador final, reduzindo perdas e gastos no transporte, torna-as muito mais viáveis, inclusive em termos ambientais, que os combustíveis fósseis.
Apesar de estarem a ser feitos investimentos nesta área, estes são ainda uma pequena percentagem relativamente às nossas necessidades energéticas.
No sector doméstico existem vários tipos de tecnologias que podem ser aplicadas, para a produção de electricidade, para o aquecimento de águas e para o aquecimento ambiente:
Os equipamentos que têm uma integração mais fácil nos edifícios são os sistemas solares térmicos e fotovoltaicos, pois como são painéis podem inclusive substituir materiais de construção, como as telhas, por exemplo.
Um exemplo recente da aplicação de energias renováveis em edifícios é o Edifício Solar XXI, do INETI. Aqui foram aplicados sistemas fotovoltaicos na fachada do edifício, em que, para além de produzirem electricidade, contribuem para fazer a climatização passiva do edifício, e também foi construído um “telheiro” fotovoltaico que produz electricidade e faz sombra para os carros dos funcionários.
Assim, a aplicação de energias renováveis em edifícios traz vantagens significativas pois:
- a produção de energia é livre de emissões de CO2;
- aproxima-se a produção de energia do local de consumo, reduzindo as perdas na rede de transporte;
- os equipamentos de energias renováveis vão ser implementos em locais já ocupados pelo homem, causando impactes reduzidos.
Cerca de 90% da energia consumida em Portugal é importada e, 28% da energia consumida e 59% da electricidade gasta, verifica-se na utilização dos edifícios, pelo que a aposta nas energias renováveis é um investimento urgente e necessário. Acresce ainda a posição de incumprimento dos objectivos a que Portugal se comprometeu no âmbito do Protocolo de Quioto – atendendo a que, tinha permissão para aumentar as suas emissões de gases com efeito de estufa em 27%, em relação a 1990, e estava em 2004, 41,5% acima.
Pelo que, a elevada disponibilidade que Portugal tem de energias renovaveis, nos daria uma autonomia muito elevada, libertando o sector eléctrico do peso das constantes variações do preço do petróleo no mercado internacional.










